Na tentativa de encontrar uma lógica para esta vida, resolvi um dia procurar na infância as raízes daquilo que, mais tarde, viria a tornar-se importante para mim. E se não tivessem ocorrido determinados factos que ainda hoje tento encaixar na minha lógica, talvez eu nunca me tivesse prestado a iniciar este blog. Isto porque, até há poucos anos, as minhas memórias estavam enterradas e raramente fazia uso delas. Até que, um dia, tornou-se importante eu lembrar-me ...
E assim foi com a história do Crescente. Porque por mais que eu queira dar a impressão de que escolhi um tema tomando por base apenas a imaginação, a verdade é que há sempre algo de real por detrás das escolhas que fazemos ...
Estava com o meu pai sentada no banco da frente de uma Volkswagen Kombi, ainda não tinha completado dois anos de idade, quando, de repente, há uma travagem funda e eu caio desamparada para a frente (nessa época, não havia tanta preocupação com a segurança das crianças). A minha testa acabou por embater contra o botão metálico do rádio do carro, fazendo uma ferida que me obrigaria a levar alguns pontos no hospital. Ferida curada, menina de volta a casa. No entanto, já nessa altura, a menina tinha os seus altos e baixos, e num acesso de teimosia, acabou por, novamente, bater a cabeça, desta vez contra a escada, porque não queria subir para a casa. Ferida de novo aberta, nova ida ao hospital. O enfermeiro diz então que não era possível dar mais pontos na ferida, teria que cicatrizar aberta. E assim surgiu a cicatriz em forma de crescente, que durante muito tempo tentei esconder por detrás de uma franja de cabelo ...